Campus Party 2010 e as redes sociais para fotógrafos. Uma palestra que marcou minha carreira

 

Reportagem gravada para o DIÁRIO DO GRANDE ABC sobre a Campus Party Brasil

Longe da lente da câmera e talvez ainda mais longe do obturador, não consigo deixar a fotografia de lado nem por um minuto. Recebo como prêmio o convite para ser um dos palestrantes do maior evento de internet do mundo: a Campus Party Brasil 2010.

Janeiro de 2001, sete dias, mais de 6mil inscritos, uma conexão de 10gb e um universo mais do que moderno é, porque não: futurista! O evento é grandioso também nos números, além do total de participantes ultrapassarem 50 mil pessoas, os R$13milhões investidos servem para garantir uma estrutura de primeiro mundo e uma qualidade tanto na recepção dos campuseiros (quem participa do evento) como dos palestrantes, imprensa e autoridades.

No ano de 2009 tive a oportunidade de conferir de perto as mais de 500 atividades que acontecem durante as 24horas diárias de programação. O FOTOCOLAGEM me deu o passaporte e o ingresso que eu precisava. O evento, sem dúvidas, em 2010 cresceu. Este ano estava de volta com o crachá de imprensa no peito e também, estava ali, para quem visse, a minha credencial como palestrante.

O convite partiu do profissional Renato Targa, um dos responsáveis pela arena de CRIATIVIDADE do evento, que concentrava também as atividades de fotografia. Cerca de três meses antes do início da Campus Party marcamos uma reunião no Shopping Eldorado e conversamos sobre a possibilidade da minha apresentação no evento. De lá pra cá foram contando os dias para que eu pudesse trazer um tema que me envolve diariamente. E assim surgiu: AS REDES SOCIAIS PARA FOTÓGRAFOS.

O tema é atual. Contempla este cenário de novidades que o orkut, facebook, myspace e recentemente, ou não tão recentemente assim, damos boas vindas ao twitter. O primo rico das mídias sociais. Até aí o tema seria comum e pouco agregaria. No entanto, como nenhum discurso é isento ou neutro, meu viés puxou para a fotografia e o tema da palestra já estava definido.

Foram cerca de 1h30 de conversa com um público que ultrapassava fácil a marca de 50 pessoas. Uma boa média, visto a grandiosidade do evento, as inúmeras atividades e também o contato recente do evento com interessados em fotografia.

Slides na tela, suor na espinha, uma roupa bacana e uma gravata que ganhei de presente dias antes do evento. Pronto, tudo estava afinado. Faltava agora eu não errar o tom. A apresentação seguiu bem e fluida. No final as perguntas surgiam como alternativas para que eu pudesse falar ainda mais sobre o tema.

Contei com o apoio de dois recentes amigos, o ADIRAPHAELI e JRDURAN. Utilizei os sites, blogs e endereços de microblogs para explicar para a platéia que, falar de redes sociais, significa além de apresentar seu trabalho, é uma forma de garantir que você está atual. Vivo e que produz conscientemente!

Na platéia o abraço especial de dois amigos me aguardavam: Déborah Silva e Jorge Carneti estavam ali, apostos e dispostos, sem opostos mas à minha frente e na minha direção, apenas como as pessoas especiais podem estar. Ao Jorge coube a difícil missão de conseguir tirar alguma foto minha que prestasse, já a Déborah garantiu, aos leitores do FOTOCOLAGEM, a transmissão ao vivo da palestra via twitter. Isso sim é interatividade!

Palestra feita, missão cumprida e muito orgulho. Afinal, fotografia é retratar o universo a sua volta. Isso só é possível, se você fizer parte deste universo que te cerca.

EDUARDO CHAVES - CAMPUS PARTY BRASIL 2010
EDUARDO CHAVES - CAMPUS PARTY BRASIL 2010
EDUARDO CHAVES - CAMPUS PARTY BRASIL 2010Fotos: Jorge Carneti

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Referências na composição de um ensaio. Estilo sem cópia!

 

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Foto: Eduardo Chaves

Ultimamente tenho levado meus olhos mais para ensaios de moda e books. A pesquisa começa tímida na internet, visualizando diferentes sites, blogs, comunidades, acessando coleções de estilistas e quando vejo já estou traçando pontos na tela em busca de uma composição.

Absorver o que se vê é fundamental para compor um estilo fotográfico. Ter diferentes referências é o que vai lhe garantir estrutura na hora da direção da modelo.

No entanto, nem só de revistas e internet vive a fotografia. O olhar nas ruas é alimentador e estimula a produção de idéias. O cenário, a movimentação seja urbana, ou bucólica e até mesmo, porque não, o espaço vazio. Tudo possibilita uma criação e aprimora o olhar.

Não preciso de ídolos para compor o meu esquema de fotos, em outras palavras, digo que não preciso seguir os passos de um determinado fotógrafo, ou ainda, copiar a iluminação de um ensaio que eu vi em uma magazine internacional. Referência não é cópia. Referência não é simular. Referência é aprimorar o que se vê, dentro, é claro, dos seus conceitos e do seu estilo pessoal.

Neste ensaio que faço a ilustração do post são imagens do book da model Aline Malaquias. O cenário são os portões da antiga fábrica da família Matarazzo, em São Caetano do Sul, São Paulo. A jovem estava ansiosa para a produção do trabalho e uma troca de idéias e apresentação dos meus referenciais para o ensaio foram fundamentais para que ela conseguisse compreender melhor como seria a direção durante as fotos.

Usei como mote o trabalho do fotógrafo Cláudio Carpi em ensaio para a Vanity Fair em abril de 2009. O material ganhou o cenário carioca da zona portuária da cidade e serviu de inspiração para os cliques diante de Grazi Massafera.

Reunião e pontos acertados. A modelo com as imagens como referencial em sua memória foi construindo e modificando o corpo conforme a cena pedia. Da minha parte, como fotógrafo, registrei tudo conforme seguia e formatava o meu estilo. Neste caso, aliás, em tantos outros, a referência é dividida, hora com o fotógrafo, hora com a modelo, ou com ambos durante todo o ensaio.

Assim também acontece com o maquiador, cabeleireiro, produtor, estilista, design e até o diagramador ou editor de imagens. Todos devem seguir o mesmo referencial do fotógrafo. Os detalhes ficam alinhados e a equipe no mesmo tom.

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evchaves_02Fotos: Jorge Carneti

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A fotografia sonora. É possível representar a música?

 

Início de novembro e fim do ano se aproximando. A data não parece menos atrativa quando se começa a planejar o que fazer para 2010. Metas, cronogramas, agendas e expectativas. Prefiro ainda viver o atual, o ao vivo, um planejamento mais curto, algo que envolva apenas a minha vontade e nada de tempo. Definitivamente não preciso que o relógio me diga quando é o momento de fazer. Isso eu me limito!

Assim, desta forma, consigo realizar bons trabalhos no PRESENTE. Como o próprio nome diz, o DIA DE HOJE é nos dado como um presente para realizarmos algo bom, novo, diferente e inusitado. Por esta estrada sigo meu trabalho na área de FOTOGRAFIA DE MÚSICA.

O vídeo que eu apresento a seguir é a reunião de dois portfólios muito especiais: Músico Léo Souza e Creedence Cover Band. Cada um com seu estilo musical, a proposta de imagem também seguiu uma concepção artística diferente. Assistam e depois eu comento cada uma das experiências.

O cenário, as cores, a textura, o ângulo, o foco e principalmente o estilo musical impregnado na imagem. Como afirmar que a fotografia não tem som? Mentira. As imagens respiram música. Neste sentido o fotógrafo precisa saber interpretar o trabalho do cliente transmitindo esta essência na imagem. Reuniões, briefing, bom ouvido para escutar mais e falar menos são elementos parceiros neste trabalho.

Músico Léo Souza

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Talento. Esta é a palavra que pode resumir um pouco do trabalho deste jovem músico. O Leonardo é um cliente de muitas horas de conversa. O nosso contato começou ainda tímido. A proposta inicial, que era apenas para algumas fotos de divulgação do cantor, seguiu mais adiante como uma consultoria de imagem e aos poucos fomos conversando para que conseguissemos definir o que seria este personagem, o Músico Léo Souza.

As letras já estavam prontas, o trabalho musical bem desenvolvido. Voz, violão e criatividade. O combustível para fazer as fotos saírem da idéia já estavam na rua, bastava apenas afinar o olhar.

As fotos de divulgação do artista foram feitas na região do Brás, em São Paulo, sob a linha férrea que marca a passagem de idas e vindas de muita gente. Como uma viagem, ou como um personagem que está chegando, decidimos que as fotografias deste primeiro trabalho deveriam ter movimento, olhar profundo e um certo ar de mistério em revelar o artista.

As imagens ganharam páginas na internet, sites, redes de relacionamento, material para imprensa, capa de cd e, claro, muito orgulho tanto para mim quanto para o músico.

Creedence Cover Band

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Admiração. Você já ouviu dizer que quando trabalhamos com o que gostamos trabalhamos melhor? Pois é, eu concordo. Trabalho melhor com quem tenho admiração e pelo trabalho da Creedence Cover Band este é um elemento que não falta.

Amizade de longa data e a confiança de que ainda poderíamos juntar nossos talentos. Partindo disso fotografei a banda pela primeira vez em um evento na região do ABC Paulista, as imagens que deveriam apenas traduzir um momento da banda no palco, ganhou mais espaço com algumas fotos tímidas feitas no estacionamento do restaurante de onde a banda tocaria mais tarde.

As fotos ganharam cartazes, flyers e material de divulgação. Mas sabíamos que a primeira proposta ainda precisava de um refinamento e depois de alguns meses o grupo me convidou novamente para fazer as fotos de divulgação do primeiro CD.

Partimos da idéia que as imagens deveriam mostrar o grupo como algo “único” e que embora assinassem o trabalho de cover do Creedence Clearwater Revival o estilo poderia sim, seguir o mesmo caminho, mas o trabalho precisava ser moderno e publicitário.

O cenário escolhido foi uma rua de terra batida próximo à entrada da Vila de Paranapiacaba, em Santo André, São Paulo. Meus olhos brilhavam com a textura do lugar, sem contar que a luz parecia um convite para minhas fotos. Figurino, disposição e a contribuição de todos envolvidos no projeto me dava mais segurança para dirigir o grupo.

Algumas horas sob um sol escaldante e já guardava comigo a certeza de que havia oferecido o melhor de mim naquele momento. No mesmo dia, mais tarde, já tínhamos o material editado e traduzido. Fotos viraram música e a música brindou as fotos.

Veja mais imagens destes ensaios no meu álbum de Música do ORKUT, clicando aqui!

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Um blog para chamar de seu

 

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Por aqui, por estas páginas, vou deixar a minha fotografia de lado e falar sobre a experiência de escrever e administrar um outro canal de fotografia na internet: o FOTOCOLAGEM.

Fruto de um desejo antigo de criar um lugar onde pudesse agrupar notícias, releases e entrevistas sobre fotografia, o FOTOCOLAGEM foi a minha segunda experiência em se comunicar com outros fotógrafos.

Logo no início, ainda tímido, meu relacionamento começou por meio de um antigo blog pessoal onde eu trazia tanto informações sobre meus trabalhos, como também, notas e divulgações de outros fotógrafos. O público foi aumentando e a quantidade de pessoas que acompanhavam o blog começou a aumentar.

Neste mesmo tempo o DGABC – DIÁRIO DO GRANDE ABC abria as portas para uma nova parceria. O maior jornal regional do país conquistava a internet 2.0 e nesta nova demanda atraiu-se pelo meu trabalho à frente da fotografia com o evchaves.blogspot. Foram algumas conversas e a certeza de que estava na hora de expandir o horizonte.

Pensei alguns dias sobre a proposta de ligar o meu blog com o portal do DGABC. A resposta veio com uma conversa com a jornalista Déborah Silva que aceitou desde o início em carregar comigo a responsabilidade de assinar um blog de fotografia na internet. As conversas caminhavam para um novo site, nada tão relacionado ao meu trabalho, mas sim, um espaço que caminhasse independente da minha fotografia. Andasse com as próprias pernas.

Foram várias reuniões, discussões um bucado de rascunhos para a escolha de nome deste site. FOTO PRETO E BRANCO, FOTOGRAFIAS E DESIGN, FOTO E VIDA foram algumas das sugestões, mas nenhuma conseguia traduzir a essência do trabalho como: FOTOCOLAGEM.

FOTOCOLAGEM já traz em si a idéia de criar uma colcha de retalhos sobre o universo da fotografia. O canal, já batizado, começou a ganhar formas nas mãos do programador Elton Lopes, que estava separado de mim por apenas algumas mesas no DGABC.

Referências, cores, formas, designs e layouts, outros layouts e o canal ficou pronto. Do início do projeto, até hoje, se passaram um pouco mais de um ano. O FOTOCOLAGEM hoje recebeu cerca de 700 notícias, mais de 530 comentários, está presente no Twitter com 1500 seguidores, possui uma comunidade no orkut com mais de 200 membros e se apresenta como um dos principais espaços online de fotografia do país.

O que era um sonho, ou apenas uma idéia sem forma, hoje demanda um trabalho diário e um diálogo constante com os leitores. Contando com a ajuda de outros fotógrafos e colaboradores o canal recebe mais de 500 visitantes por dia e uma média de 300 emails por semana.

O FOTOCOLAGEM quer crescer ainda mais. Sonhos? Todos os dias. Realiza-los? Todas as horas. Acesse e confira: www.fotocolagem.blogspot.com

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Para onde caminha a fotografia de moda?

 

Eduardo Chaves - MODAEduardo Chaves - MODA

Book de moda realizado em workshop do fotógrafo Fernando Lessa

Como último post de setembro e também para comemorar este primeiro mês deste novo blog resolvi trazer uma dúvida que há tempos me angustia: Para onde caminha a fotografia de moda?

Os editoriais estão cada vez mais simples e o jogo de luz parece ser o foco do trabalho dos fotógrafos que não investem em grandes cenários, produções ou locações. Claro, tudo é uma questão de estilo e da linguagem de cada fotógrafo que aborda o seu trabalho de maneira particular. Neste post prefiro não citar nomes para não correr o risco de faltar algum arcanjo deste céu estrelado que é o universo da fotografia de moda.

Minhas referências em fotografia de moda beiravam o diferente e o inusitado. Sempre me chama muita atenção as fotografias que consideram o ambiente como um diálogo da cena do que simplesmente anular todo o restante com um fundo infinito branco, ou então, um cromaki de cinza em degradê.

Os editorias de moda de revistas internacionais como COSMOPOLITAN ou  MARIE CLAIRE capricham em fotos externas e mostram para o leitor que esta “beleza” das páginas podem sair às ruas, aos parques, ou à grandes cerrados, para aqueles mais ousados. Já a tradicional VOGUE opta sempre por uma linguagem mais moderna e contemporânea e por aí permeiam minhas dúvidas. Os editoriais ganham páginas cada vez mais clean e estúdios são a morada de fotógrafos que ilustram seus trabalhos nesta publicação premiere mundial.

Algo me incomodava com este olhar mais simples que a fotografia dentro do estúdio tem. Considerava limitante. Sim, considerava, no passado mesmo. Precisava expandir esta minha idéia e passei a observar o que este tipo de fotografia tem a me oferecer. Encontrei belos trabalhos e encontrei ali um diferencial: a expressão.

A partir das minhas experiências posso dizer que a fotografia em estúdio exige uma carga expressiva da modelo muitas vezes maior do que uma fotografia ambientada em cenário externo. Toda a atenção do trabalho está na modelo. É como se só coubesse a ela a função de entreter. Mas calma! A modelo é um ponto, mas são as roupas e/ou acessórios que merecem ganhar destaque. Então, percebi que a medida certa não existe.

Nem tanto para a amargura, nem tanto para a felicidade. A fotografia de moda em estúdio precisa ganhar uma linha tênue de expressão e fazer isso casar com o figurino, maquiagem e assessórios,  com o que está sendo vendido e anunciado no editorial.

Acredito que, caso  meus trabalhos agora ganhem outros estúdios vou crescer não somente como profissional, mas também como leitor e admirador desta fotografia tão intrigante que é a MODA!

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